A eterna Elisinha Ferraz

 Segue matéria para aqueles que como eu amam a socialite falida Elisinha Ferraz, da novela Anjo Mau.

Elisinha, emergente e caloteira da novela das 7

A personagem de Ariclê Perez em Anjo Mau vive na corda bamba, mas não perde a pose de dondoca

Rosângela Marques
Agência Estado

São Paulo - Mais para caloteira do que para emergente, Elisinha Ferraz (Ariclê Perez) engole muitos sapos mas não perde a classe na novela "Anjo Mau". A personagem é uma verdadeira representante da falida aristocracia, mas não abre mão dos luxos conquistados durante toda a vida. Para Ariclê, o sucesso da personagem é devido principalmente aos textos da autora Maria Adelaide do Amaral. "A Elisinha é completamente alienada, assim como a Clô (Beatriz Segall), sua irmã. As duas consideram o mundo das aparências o verdadeiro "Olimpo" e preferem morar no quarto das empregadas só para não mudar de endereço ou ter de dar o braço a torcer e admitir que estão na miséria", conta.

Mas ao contrário de Mauro Mendonça, que interpreta o vilão Rui, e que faz questão de dizer que está aproveitando a boa vida de seu personagem, Ariclê torce para que Elisinha encontre alguém que compreenda as suas "necessidades". "Me divirto muito em ler os textos da Maria Adelaide, principalmente com as cenas de bebedeira da Elisinha. Depois que ela bebe o segundo hi-fi, que é uma bebida que a arremete para os anos dourados, entra em alfa e começa a ter fixações náuticas, imaginando que os garçons, ou quem quer que esteja do seu lado, seja um comandante de navio", ironiza.

Ariclê não exagera quando diz que sua "carreira foi construída no teatro". Viúva do reconhecido diretor teatral Flávio Rangel, falecido em 1988, Ariclê estreou no palco em 1967 com a peça "Electra" e foi uma das atrizes que participou da primeira montagem brasileira da polêmica peça "Hair", que tratava sobre o movimento hippie. A atriz só chegou à televisão em 1990, na novela "Meu Bem, Meu Mal". Até então, a atriz só tinha trabalhado uma única vez em novela, e, por acaso, na única novela da história brasileira que não teve um fim. "Foi em "Como Salvar Meu Casamento", pela TV Tupi. Um dia eu cheguei para as gravações e fui barrada pelo guarda na portaria, que me avisou que não teria gravação naquele dia. Então, eu perguntei para quando teria sido transferida a gravação e ele me explicou que a TV Tupi tinha fechado suas portas", lembra Ariclê.

Depois de passar toda a vida interpretando papéis dramáticos, a atriz viu na comédia a chance de tirar proveito do temperamento de seus personagens. A virada em sua carreira ocorreu depois de sua participação em "Salsa & Merengue", no papel da alpinista social Gilda. "Já fiz todo tipo de mulher sofrida, desde as mais torturadas até as mais doentias. Em 84, fiz uma peça de alto teor dramático e era obrigada a ter oito crises nervosas por semana no palco", conta.

Para Ariclê, o verdadeiro final feliz para sua personagem seria uma aproximação com Rui. "Sei que o destino de Elisinha está nas mãos da autora e do público, que está gostando muito da personagem. Mas tenho a impressão de que ela vai acabar ficando com o Rui, já que a Elisinha tem um encanto todo especial por ele.

Seria o encontro do emergente com a decadente; a aristocracia com o dinheiro novo. Gostaria muito que ela fosse feliz, de uma forma ou de outra."

 

Quase de Luis Fernando Veríssimo

QUASE 

Ainda pior que a convicção do não
é a incerteza do talvez
é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda,
que me entristece,
que me mata
trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga,
quem quase passou ainda estuda,
quem quase morreu está vivo,
quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades
que escaparam pelos dedos,
nas chances que se perdem por medo,
nas idéias que nunca sairão do papel
por essa maldita mania
de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes,
o que nos leva a escolher uma vida morna;
ou melhor não me pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cór,
está estampada na distância e frieza
dos sorrisos, na frouxidão dos abraços,
na indiferença dos "Bom dia",
quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima,
o amor enlouquece,
o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos
para decidir entre a alegria e a dor,
sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo,
o mar não teria ondas,
os dias seriam nublados
e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira,
não aflige nem acalma, apenas amplia o
vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas,
nem que todas as estrelas estejam ao alcance;
para as coisas que não podem ser mudadas
resta-nos somente paciência,
porém,
preferir a derrota prévia
à dúvida da vitória é desperdiçar
a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão;
pros fracassos, chance;
pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio
ou economizar alma.
Um romance cujo
fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade
sufoque, que a rotina acomode,
que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que
sonhando, fazendo que planejando,
vivendo que esperando porque,
embora quem quase morre esteja vivo,
quem quase vive já morreu.

São Paulo se candidata a sede dos Jogos Gays 2009
Caio Luiz de Carvalho, presidente da São Paulo Turismo (antiga Anhembi), entrega amanhã para Mark Tewksbury (foto), presidente do OutGames Montreal 2006, a candidatura oficial da cidade de São Paulo para sediar os Jogos Gays de 2009. O evento acontece às 11h no auditório J do Palácio das Convenções do Anhembi.

Tewksbury é homossexual assumido e foi campeão olímpico nas Olimpíadas de Barcelona em 1992. Ele está em São Paulo desde sábado e já entrou em contato com a comunidade gay paulistana.

Os Jogos Gays – também conhecidos como Olimpíada Gay – é o maior evento internacional esportivo da comunidade homossexual e conta com a participação de atletas de todo o mundo.

A equipe de vôlei gay de São Paulo já está treinando para a edição de 2006.

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